November 24, 2019

Porquê que deixei de viajar


"Vais viajar para sempre?" - perguntou um dia a minha amiga mexicana Gabriela. Aquela pergunta ficou a matutar na minha cabeça. Naquela altura estava a viver em Lisboa e antes disso tinha viajado uns cinco anos praticamente non stop, era o tempo de fazer dinheiro suficiente e viajar de novo, quando terminava o dinheiro voltava a trabalhar com o intuito de juntar para uma nova viagem. Dentro da viagem já imagiva onde seria a próxima viagem. Passei a viajar como estilo de vida.

Depois desses 5 anos de viajante era impensável voltar para o Algarve, faltaria toda aquela adrenalina de explorar lugares diferentes, aprender, fazer novas amizades. Precisava de continuar a alimentar a minha curiosidade e foi assim que surgiu a ideia de viver em Lisboa. Foi a transição perfeita porque os três anos que lá vivi foi como se estivesse a viajar. 

Embora estivesse feliz da vida a conhecer novas pessoas, a fazer uma série de actividades, a participar em muitos eventos, chegou uma altura em que sentia um vazio dentro de mim. Descobri que era a minha vida profissional, não me sentia minimamente preenchida. Trabalhava o suficiente nagum sítio que até gostava para garantir os jantares fora, as idas aos museus, a concertos, a festas, para o passe mensal. Mas não estava a sentir-me útil. Foi como se tivesse voltado a uns anos atrás quando achei que a vida de viajar full time tinha terminado, porque cheguei a um ponto de exaustão, de inutilidade e até inércia. Sim, estava a cultivar-me, a divertir-me, a partilhar a minha cultura com outras culturas mas não estava a ajudar em nada a humanidade. E tenho plena consciência que estou aqui e agora nesta vida para ajudar pessoas. 



No ano passado a minha vida descarrilou mesmo à séria. Estava a compor-me do término de um namoro tão especial com 4 anos a viajar juntos 24 sob 24 horas quando recebo a notícia que o meu pai faleceu. Era só a pessoa mais importante da minha vida. 
Assim sendo, todos os pilares da minha vida estavam desmoronados: amoroso, profissional e familiar. Sentia que não pertencia a lado nenhum, que não tinha nada, que não era nada. 

Depois de um Verão de cura interior intensa com recurso à música e dança como terapias, finalmente comecei a focar-me no trabalho. Sabia que não queria voltar a ser educadora social, pelo menos em associações, as minhas experiências foram desastrosas com muita corrupção à mistura. Sabia que queria abrir o meu próprio negócio, queria ser uma girl boss como a minha mãe... mas como? 
Foi numa certa manhã de Setembro do ano passado que fez-se luz (literalmente) e pensei: "Marta, tu tens um estilo de vida ecológico porque é que não abres uma loja online com produtos que possibilitam uma vida mais ecológica? E ainda fazes tu alguns desses produtos!" 

Pronto tinha achado o meu trabalho ideal, juntando as minhas paixões: fotografia, redes sociais, artesanato, preparar encomendas, escrever notas e o mais importante, ser educadora social. Sim, porque a loja online seria uma forma de apresentar as soluções face à problemática do lixo excessivo que estamos a viver actualmente mas o que queria mesmo era educar e sensibilizar a sociedade sobre esta problemática e incentivar a um consumo mais responsável. 
Pensava que estava a ter uma ideia super inovadora mas afinal já existiam algumas lojas online zero waste em Portugal, porém no Algarve não havia quase nada. A minha decisão estava tomada: está na altura de mudar-me para o Algarve! 


Senti (e ainda sinto) que neste momento o meu lugar é em Portugal, que precisava mesmo de passar a palavra sobre o Desperdicio Zero e passar para a acção. Claro que ao longo destes meses quis desistir, comecei a ver o Médio Oriente no google maps e voos para Israel. Mas aquela vozinha cá dentro dizia-me sempre que estava a fugir e ao viajar mais não iria solucionar a minha vida profissional. Afinal de contas o meu único objectivo deste ano foi só um: abrir uma loja online. E assim foi, a 11 de Setembro deste ano, nasce a Green Vibe. 

Na verdade o Green Vibe já tinha nascido enquanto movimento. Tinha iniciado conta no instagram e no facebook a espalhar a palavra do desperdício zero e mostrava o meu dia a dia ecológico. Fiquei super contente com o feedback fabuloso da vossa parte, desde pessoas a apoiar o meu projecto a pessoas a partilharem comigo  as trocas ecológicas que têm feito, uau uau uau estava nas sete quintas!
Só para não falar que consegui meter quase todas as minhas amigas a usarem o copo menstrual, como os tinha à venda e elas queriam ajudar-me foi uma situação win win. Até a minha mãe que comprou-me uma garrafa reutilizável andava a mostrar e a revender garrafas às amigas dela :D 
Participamos na primeira feira, a FAVA (Feira do Ambiente e Vegan do Algarve) saindo da feira com o coração a abarrotar. Tantas pessoas chegaram até à nossa banca com questões ambientais, preocupadas com o nosso planeta, a partilhar dicas interessantes sobre mudanças mais sustentáveis nas suas vidas. 

Por isso, sim, deixei de viajar tanto como antes mas sei que é uma fase. Quero sentir-me útil, organizar eventos sustentáveis, ajudar a comunidade a mudar para hábitos mais ecológicos e mostrar às pessoas que ainda vamos a tempo de salvar a raça humana (sim, porque a Terra regenera-se). 
Espero daqui a uns aninhos ter pessoas fantásticas a trabalhar comigo, o que possibilita a minha volta às viagens. Vou logo uns meses para o Médio Oriente :) 

Quero continuar a vir aqui partilhar convosco os meus passeios pelo Algarve, restaurantes e cafés bonitos, sítios abandonados, as minhas leituras, enfim todas as minhas paixões para além do desperdício zero. 

Agora digam-me, já conheciam o Green Vibe? Gostaram da ideia? 

Podem encontrar o Green Vibe:
» site » blog » instagram » facebook

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  1. Ideia maravilhosa! Muita força nesse projecto :)

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    1. Muito, muito obrigada Inês. Sem o vosso apoio seria impossível!

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Grata por comentares, adoro saber o que passa pela tua mente.

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