OFF SIGHT | PALÁCIO DA FONTE DA PIPA

 Todos os dias, quando saía de Loulé em direcção à universidade de Faro de autocarro dava de caras com um palácio lá ao fundo, imaginava a arquitectura vinda de outro mundo e as histórias hilariantes que já teriam passado por entre aquelas paredes. 

Há duas semanas, quando finalmente pisei o terreno onde se encontra o palácio (obrigada off sight) deu-me um enorme aperto no coração, porque o palácio tinha sofrido um incêndio no dia 24 de Fevereiro deste ano. Morei 26 anos em Loulé e podia ter visitado este espaço encantador vezes sem conta. A verdade é que desde pequena oiço histórias de horror sobre este edifício como a filha de um proprietário que terá falecido na quinta e há quem a tenha visto à janela da torre ou que terão sido sepultadas na propriedade vítimas da gripe espanhola da pneumónica de 1916-1918, e hoje ainda deambulam as suas almas penadas por todo o lado. 

Histórias à parte, hoje em dia o palácio está nas mãos do Fundo Imobiliário e em stand by, porque o Plano Director Municipal (PDM) não tem permitido urbanizar o espaço como pretendem os proprietários. E eu pergunto-me: mais um património que ficará em ruínas, e consequentemente, parte da nossa identidade jogada fora?

PRÓXIMA PARAGEM: HAMBURGO NA ALEMANHA


É já amanhã que parto para Hamburgo! Vocês devem estar a pensar: Então e só agora é que nos contas? Até podia ser uma dessas viagens de última hora em que encontramos voos low cost com valores surreais mas muito pelo contrário, marquei esta viagem para Hamburgo em Dezembro, algo completamente inédito sendo que no máximo marquei voo com um mês de antecedência. 
Quem subscreveu a newsletter do blog já está a par, porque nas newsletters acabo por escarrapachar um pouco mais sobre a minha vida privada, afinal de contas é um email que vos mando e que desaparece, os posts permanecem no blog para todo o sempre *drama* 

DIÁRIO A BORDO | 11 CURIOSIDADES SOBRE OS INDIANOS


Mysore - Índia, 2 de Novembro de 2011

1 - Comes com a mão direita, com ou sem colher, mas nunca com a esquerda. (já sou uma perita a comer arroz com a mão!!) Garfo e faca só em casamentos mas como os indianos não têm prática comem com as mãos às escondidas.

2 - Não existem nomes de ruas mas referências para chegar aos locais. (Exemplo: Hospital Adythia, viras na segunda à esquerda, à tua direita tens o restaurante Om Shanti, viras na primeira à esquerda e o prédio é o castanho no 2º andar)

3 - Quando os indianos querem dizer que sim abanam a cabeça como se fosse não. Mas também o fazem por outras razões que ainda estou a averiguar.

4 - Tanto as crianças como os idosos gostam de dizer olá aos turistas ocidentais. Também gostam de nos tocar subtilmente ou dar um passou-bem.

5 - Geralmente os indianos gostam de ajudar os ocidentais. Mal te vem com ar de perdido vão logo ter contigo.

6 - Os indianos são muito criativos com os seus negócios. Vendem um pouco de tudo desde os objectos convencionais: lenços, malas, saris, bijuteria até aos mais bizarros: gasolina em garrafas de água (Goa) e serviços como limpador de ouvidos (Rishikesh)

7 - Indiano que é indiano faz sesta várias vezes durante o dia. 

8 - Necessidade abismal de Trabalho Social em áreas como: Alfabetização, Desenvolvimento Local, Higiene, Educação para a Saúde, Educação de Adultos, Exclusão Social, Trabalho Infantil. Seriam necessários no minimo 3 milhões de educadores sociais para uma forte mudança mas... como realizar um projecto social sem interferir radicalmente na cultura indiana? Dá que pensar.

9 - Os turistas indianos pedem-me constantemente para tirar fotografias com eles.

10 - O metro de New Delhi é o melhor que já vi até hoje!!! Não encontrei um único aspecto negativo. Para além da segurança máxima em termos de policia, somos sempre revistados e as nossas malas passam por raio-x. A entrada de mendigos é proibida, ou seja, não te estão a pedir constantemente dinheiro. As condições dentro do metro são óptimas: ar condicionado, tudo novinho e limpinho, tomadas de electricidade para carregar telemóvel, portátil, camara. Mas o melhor de tudo: A primeira carruagem é apenas para mulheres!!! Nunca está muito cheio, não existe o perigo de mãos desviadas no meu rabo e não tenho a sensação de observação masculina o tempo inteiro. Ok, se calhar o aspecto negativo é a discriminação da carruagem só para mulheres e a entrada proibida a mendigos.

11- Um rolo de papel higiénico é um luxo, custa 45 rupias e um prato de comida pode custar 20 rupias.

DEZ DIAS EM SILÊNCIO NO TUSHITA RETREAT CENTER

Aposto que muitos de vocês ao lerem o título deste post pensaram automaticamente no filme e/ou livro "Comer Orar Amar" em que Liz resolve passar uma temporada num templo e durante uns dias esteve em silêncio. Adivinhei? :D

Já que estamos na onda do Diário a Bordo na Índia resolvi partilhar convosco dez dias inesquecíveis passados na zona de Dharamsala onde se encontra exilado o emblemático Dalai Lama. Foram dias que fortaleceram e nutriram a mente e o coração, que reflecti bastante sobre a minha posição neste mundo, que me questionaram vezes sem conta e que me arrancaram sorrisos, muitos sorrisos... tudo isto sem dizer uma única palavra, sem comunicar verbalmente.
Quem me conhece sabe que sou muito faladora, saio ao Toine Zé, meu querido pai, e sinceramente, estava na incógnita se iria conseguir ficar em silêncio tantos dias, se dois dias sem falar já seriam um martírio. Surpresa das surpresas fui até ao fim, sem pronunciar uma única palavra. 

DIÁRIO A BORDO | CONTACTO DIRECTO COM MONGES ADOLESCENTES

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Mysore (India), 2 de Novembro de 2011

Mysore admito que até agora foi a escolha mais estúpida que fiz, não sabia bem que fazer a seguir a Hampi e acabei por olhar para o mapa e dizer para mim mesma que ia para Mysore. Basicamente é uma cidade muito turistica, mais virada para turistas indianos, em que tens este e aquele templo, mais o palácio e pouco mais. O que gosto mais quando visito um local é a cidade/vila em si e não o que ela tem lá dentro, se são museus incríveis, igrejas magnificas e monumentos espectaculares. Mais interessante que tudo é o que o local transmite e não a quantidade de "coisas giras".

Decidi então fazer algo de interessante já que a minha escolha para Mysore foi um fiasco ao menos fazer o melhor que podia. Assim, marquei uma massagem ayurduvedica que revelou-se uma óptima decisão pois foi uma hora e meia com duas indianas de Kerala a massajar cada sitiozinho do meu corpo, estava mesmo a precisar destas energias! E no dia antes de abalar, decidi passar o dia num mosteiro budista tibetano, a 80 kms. Toda a gente sabe a minha fixação pelo budismo, mas agora percebi que afinal não é só pelo budismo, tenho uma paixão só agora descoberta por religiões, não pela adoração a um Deus ou Deuses mas sim a mensagem que tenta passar ao ser humano. Assim, descobri que pertenço a um bocadinho de cada religião porque todas fazem parte do meu quotidiano e da minha forma de ver o Mundo.


Nessa manhã chegaram 2 alemãs (18 e 19 anos!!!) à casa do Santosh (meu anfitrião do couchsurfing, a viver com a esposa e pais na mesma casa e na qual fiz parte durante 4 dias) Decidiram logo vir comigo, gostei logo da atitude delas e no final do dia gostei bastante delas. Chegamos finalmente ao local depois de duas horas num autocarro a cair de velho que parecia não ter amortecedores. Sim, aqui 80 kms fazem-se em duas horas e com sorte!! As estradas não têm nada que ver com a nossa Via do Infante... a N125 é brutal mesmo!!!

Mal chegamos ao mosteiro senti logo uma paz a invadir-me o corpo e a alma. As energias (boas ou más) sempre me atingiram à velocidade da luz e aquele local era propicio para meditação ou quem sabe ficar por lá perdida uma boa remessa de dias. O mosteiro era composto por diferentes divisões onde os tibetanos estudam e ensinam o budismo. Pode demorar cerca de 9 anos até que estejam preparados para ser professores de budismo e é isso que fazem para o resto da vida. Para mim é o equivalente a um padre, pois não formam família apenas vivem para a religião. Mas quando chegamos ao chamado Templo de Ouro foi tiro e queda, fiquei rendida e imediatamente sentei-me no chão e fechei os olhos. Sem dizer uma única palavra, as duas alemãs fizeram exactamente o mesmo. Ficamos ali uns 10 minutos a sentir cada vibração do local. À nossa frente tínhamos 3 budas feitos de ouro com cerca de 30 metros cada, algo abismal mesmo. E à nossa volta tínhamos várias pinturas coloridas referentes ao budismo.


A certa altura o local ficou muito "povoado" por famílias indianas turistas que não respeitaram o local e faziam bastante barulho então decidimos sair dali porque as alemãs queriam fumar um cigarro. Saímos do mosteiro e olhamos a nossa volta, não fazíamos ideia para onde nos dirigirmos até que encontramos um local lá ao fundo cheio de bandeirinhas coloridas como no mosteiro e decidimos que seria um bom local.
Num espaço de 10 minutos chegou um monge vestido com a sua vestimenta de budista ("saia" e "lenço" cor de vinho com a t-shirt laranja) e com um IPAD na mão e perguntando se poderia nos tirar uma foto. Muito admiradas que um monge tinha acesso a um IPAD dissemos logo que sim.
Quando demos por nós estávamos a 15 metros do local a descascar massarocas de milho com mais 3 nepaleses e 2 taiwanenses (!!!!) Foi tão terapêutico e por outro lado estávamos a fazer algo de produtivo nesta viagem: a ajudar no negócio do senhor do Nepal =) Eram muito simpáticos e num espaço de meia hora acabamos aquilo tudo.

Depois disso tivemos a assistir um jogo de cricket dos monges!!!! Opá demais, parecia tão surreal, às tantas estava um sem a t-shirt, outro já estava de boxers, é o calor! Senti-me em casa.
Já que estava um monge ao nosso lado aproveitei para tirar mil duvidas em relação à vida de um monge. Este rapaz de 18 anos estava ali porque quando era criança os pais decidiram por ele que iria ser um monge pois era bom para ele. Bom para ele??? E a decisão dele? Na verdade podes dizer que não mas podes criar problemas com a tua família. É por estas e por outras que dou imenso valor aos pais que tenho e à educação extraordinária que me souberam transmitir, se não a esta hora não estava aqui, na Índia, sozinha :D Falamos sobre a importância de constituir família e sobre o conceito de amor que é completamente diferente e o que me "preocupou" mais é que ele justificava tudo com livros e ensinamentos. Eu não verbalizei estas palavras mas pensei para mim "A vida não se aprende nos livros" citando o escritor Daniel Sampaio. Foi uma conversa muito positiva, fiquei feliz que ele não tenha ficado pasmado quando lhe disse que quando tinha 18 anos, a idade dele, não queria saber de estudar mas de andar em festas e beber álcool, experimentar coisas novas. Ele respeitou tudo e pela primeira vez na Índia, estávamos rodeadas por 50 homens e nenhum olhou para nós com aquele olhar "el matador".
Cereja topo do bolo: Jantamos na cantina do mosteiro comidinha tibetana, uma pausa da comida indiana que me soube pela vida!

10 ANOS A VIAJAR, 50 PAÍSES



É inacreditável! Finais de Julho de 2007 estava a rumar para a primeira viagem da minha vida, mas daquelas à séria de três semanas, com a mochila às costas e um orçamento curto. Tinha terminado a licenciatura, assim como  o meu primo Sam, portanto tínhamos a desculpa perfeita para os nossos pais "Ah vamos no InterRail como uma viagem de finalistas", colou como um selo num envelope :P Claro que não podia deixar a Ana de lado, a minha amiga inseparável que estava deserta para fazer uma viagem destas há tanto tempo, era agora ou nunca

DIÁRIO A BORDO | HAMPI E O SEU MISTO DE VERDEJANTES COM RUÍNAS



Mysore, India, 24 de Outubro de 2011

As expectativas quanto a Hampi eram poucas ou nenhumas, nunca li sobre o local mas segui a minha intuição e resolvi partir para o local.

Quando estava a chegar uma israelita meteu conversa comigo ainda no autocarro e pronto fiquei com ela mais o casal amigo dela, também de Israel, os próximos 3 dias em Hampi. Ainda bem porque o rapaz era super orientado e consegui fazer bastante, só para não falar que me acolheram super bem no seu grupo :) na verdade Hampi estava cheisssimo de israelitas, a malta quando acordava e ouvia a sua língua deveriam pensar: "mas em que país estou agora?" Sinceramente deve ser um pouco desconfortável mas não deixa de ser positivo especialmente para mim que estou a viajar sozinha e do nada conheci a Marta, portuguesa, no money exchange hehe Por isso ainda falei em português 2 dias com ela antes de partir para Calcutá para um curso intensivo de yoga.

MARROCOS: A MINHA PRIMEIRA VEZ EM ÁFRICA

Por esta altura, há 3 anos atrás, eu e o Bruno encontravamo-nos a mochilar e a andar à boleia em Marrocos, uma viagem que durou um total de 5 semanas. Marrocos fica mesmo ali como assim ainda não tínhamos visitado? Dissemos "basta!" e decidimos que seria a primeira viagem de 2014.

A parte interessante de Marrocos é que podes chegar de barco, então não tínhamos uma data especifica para abalar. Decidimos dois dias antes e foi um pouco bizarro: fizemos a nossa mochila, os nossos amigos levaram-nos até Faro onde ficámos até às 6 horas da manhã a beber sangria, dançar e conversar. De seguida apanhamos o autocarro para Sevilha, depois uma boleia através do blablacar para o porto de Algeciras e quando demos por nós era já o por do Sol e estávamos em Marrocos, tudo no mesmo dia! Era a minha primeira vez a pisar o continente africano.

DIÁRIO A BORDO | PRIMEIRA VEZ NA INDIA

Bom dia malta! Decidi abrir algumas páginas do meu Diário a Bordo na altura que viajei sozinha pela Ásia durante 7 meses. Estamos a falar de 2011/2012. Podem contar com um post na Segunda-Feira de manhã durante seis semanas. Vamos a isso?
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Goa, 18 de Outubro de 2011

Depois de dois dias em viagens, 3 voos diferentes, muito calor, muito frio, uma grande confusão no aeroporto de Mumbai: num momento, na parte da security baggage tinha o meu Ipod, o meu passaporte e a mochila com tudo o resto em 3 sítios diferentes!!! E indianos à minha volta a falar comigo hindi com inglês misturado haha agora que me lembro dá-me vontade de rir mas sinceramente foram os 5 minutos mais angustiantes da minha vida. E se me roubassem o Ipod? Mas o passaporte é mais importante... será que vou chegar a Goa? Será que isto é normal? E o que é normal? Pfff já passou.